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A pintura vermelha nos cascos dos navios é uma tradição que combina funcionalidade, história e práticas modernas.

Principais motivos para essa escolha:

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1. Proteção contra bioincrustação:

A cor vermelha está diretamente ligada ao uso de tintas anti-incrustantes à base de cobre, que impedem a fixação de organismos marinhos (como cracas, algas e vermes) no casco. Essa técnica remonta à antiguidade, quando navios de madeira eram revestidos com uma mistura de minium (óxido de chumbo) e gorduras animais para evitar a degradação. No século XVIII, a Marinha Britânica passou a usar placas de cobre nos cascos, substituídas posteriormente por tintas com compostos de cobre, que mantêm propriedades biocidas e evitam o aumento do arrasto hidrodinâmico — um problema que pode elevar o consumo de combustível em até 40%.

2. Tradição histórica:

A prática de pintar os cascos de vermelho tornou-se um legado cultural. Mesmo com o surgimento de materiais como aço e alumínio, e de tintas modernas em outras cores, a cor vermelha persiste como símbolo da navegação, homenageando as soluções pioneiras dos marinheiros antigos. Além disso, navios que aderem a essa cor reforçam uma identidade visual reconhecida globalmente.

3. Visibilidade da linha d’água:

O vermelho contrasta com a água, facilitando a identificação da linha d’água — o ponto onde o casco toca a superfície do mar. Isso é crucial para monitorar o equilíbrio da embarcação e a distribuição adequada da carga, garantindo segurança durante as manobras em portos ou em alto mar. Danos no casco, como arranhões, também são mais facilmente detectados em uma superfície vermelha.

4. Medição de carga:

Marcações numéricas pintadas no casco (geralmente em branco sobre o fundo vermelho) indicam a profundidade da embarcação na água, permitindo estimar o peso da carga transportada. Quanto mais o navio submerge, maior a carga, o que influencia no cálculo de combustível e evita encalhes em águas rasas.

5. Impacto ambiental e alternativas futuras:

Embora eficazes, as tintas à base de cobre liberam resíduos tóxicos que afetam ecossistemas marinhos, levando a regulamentações em regiões como a Califórnia. Pesquisas atuais exploram alternativas não poluentes, como superfícies biomiméticas inspiradas na pele de tubarões, que reduzem a aderência de organismos sem químicos. A cor vermelha nos cascos dos navios é um exemplo de como tradição e tecnologia se entrelaçam.